quinta-feira, 9 de setembro de 2010

"O Chato"



Todos os personagens sobre os quais escrevi , hoje são fantasmas que me habitam, que olham pra mim pensando: ‘Eu sou você amanhã e ontem’.
Como se tivessem num castelo aqui, num castelo psico todos me olhando.

Escrevi sempre sobre o patético humano, o nosso ridículo eterno.

Nos temos a impressão pela igreja católica de que temos o pecado original, mas temos mais, temos o ridículo original. Essa nossa cara de quem vai tropeçar a qualquer momento na frente da namorada.

Escrevi sobre personagens que tem esse patético acentuado. Representantes disso, a bailarina gorda, o vampiro doidão que detestava sangue e era bonzinho, o gago que queria ser locutor de corrida de cavalo, o rei do mau humor, Valfrido paranóico, Montenegro desajeitado, João o ciumento e todos eu identifico, são todas pessoas que eu posso dar o nome, ai eu fiz pra essa pessoa Deta e Clau já existem, esse eu não posso denunciar pra quem fiz porque o tema se chama “O Chato”.

Segundo Millôr Fernandes : “O chato é aquele cara que conta tin-tin por tin-tin depois ainda entra em detalhes”.
É preciso perdoar o chato, o chato não tem defeito grave, ele é bem intencionado, ele só confundi as coisas, ele acredita, ele tem uma ingenuidade perene.

Se fala pro cara: ‘Aparece la em casa’. Ele aparece.
Derruba o Whisky na hora que vai paquerar a garota.
Más é preciso perdoá-lo.

'Ah, todo chato é bonzinho, nunca nos faz nenhum mal
Ah, todo chato é calminho, como se faltasse sal
Ah, todo chato te conta, aonde passou o Natal
E sempre te da um dica, de onde ir no carnaval
Ah, todo chato cutuca, pra você prestar atenção
Chama cabeça de cuca, e arranha um violão
Diz que inventou uma música e toca as seiscentas que fez
E quando você abre a boca e boceja, ele toca tudinho outra vez
Ah, todo chato é gosmento, mas não há como evitar
Eu sou um chato e meu Deus não me agüento
Só me tacando no mar.'


quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Já dizia o poeta...

Caetano Veloso

Como o poeta já dizia da deselegância discreta de suas meninas,
Mas eu não entendo porque delas darem as mãos  e nunca atravessarem a esquina.

Não, ele não entendeu porque o poeta não sou eu.
Eu só musico a verdade e a nostalgia.

Não, não sou narciso, não acho feio o diferente,
Mas não compreendo a tolice da gente de julgar inconsciente.
Bem aventurado leãozinho menino bem certinho 
E eu tão indiferente,  então porque por ti tal encanto?

É que teu poema consola meu pranto!

Não, ele não entendeu porque o poeta não sou eu. 
Eu só musico a verdade e a nostalgia.

Não vivi naquela época de luta, guerra e garra,
Mas eu vivo o vazio, agora gélido e sem graça 
É que teu poema embaça, faz graça ao gelado
E faz do frio que eu sinto agora, algo inexplicável.

Não, ele não entendeu porque o poeta não sou eu.
Eu só musico a verdade e a nostalgia.